
A terceira Copa do Mundo de futebol feminino teve pela primeira vez 16 seleções participantes, e também pela primeira vez aconteceu nos Estados Unidos. O torneio veio no embalo da Copa do Mundo de futebol masculino de 1994, e contou com grande presença de público, além de grandes jogos. A competição teve um nível técnico bastante elevado e ficou marcada por partidas com muitos gols.
A Copa do Mundo Feminina de 1999 contou com 16 seleções na disputa: Estados Unidos, China, Brasil, Noruega, Alemanha, Rússia, Suécia, Canadá, Austrália, Japão, Itália, Dinamarca, Nigéria, Coreia do Norte, Gana e México. O México assegurou a classificação após disputar um playoff intercontinental das Américas, onde derrotou a Argentina, em um duelo de ida e volta.
No grupo A, tivemos Estados Unidos, Nigéria, Coreia do Norte e Dinamarca. As anfitriãs dos Estados Unidos começaram com uma vitória por 3 a 0 sobre a Dinamarca e depois protagonizaram uma das maiores goleadas da primeira fase: 7 a 1 sobre a Nigéria. No último jogo, venceram a Coreia do Norte por 3 a 0 e terminaram com uma campanha perfeita: três vitórias, 13 gols marcados e apenas um sofrido. A Nigéria ficou com a segunda vaga, depois de derrotar a Coreia do Norte por 2 a 1 e a Dinamarca por 2 a 0. A Coreia do Norte terminou em terceiro, enquanto a Dinamarca perdeu suas três partidas.
O grupo B foi o grupo da morte, com Brasil, Alemanha, Itália e México, principalmente pela presença de duas seleções europeias de grande força e do Brasil. O Brasil iniciou sua campanha de maneira impressionante, goleando o México por 7 a 1, com destaque para Sissi, que marcou três gols. Na segunda rodada, o Brasil derrotou a Itália por 2 a 0, mas na última partida empatou em 3 a 3 com a Alemanha, em um jogo bastante movimentado. O Brasil terminou na liderança, com sete pontos, enquanto a Alemanha ficou em segundo, com cinco. A Itália, apesar de vencer o México por 2 a 0 na última rodada, acabou eliminada com quatro pontos.
No grupo C, tivemos Noruega, Rússia, Canadá e Japão. A Noruega, então campeã mundial, mostrou desde o início que pretendia defender o título. Venceu a Rússia por 2 a 1, depois goleou o Canadá por 7 a 1 e encerrou a primeira fase derrotando o Japão por 4 a 0. Com nove pontos e 13 gols marcados, terminou na liderança. A Rússia ficou em segundo lugar: depois da derrota inicial para a Noruega, recuperou-se com uma goleada de 5 a 0 sobre o Japão e uma vitória por 4 a 1 sobre o Canadá. Canadá e Japão terminaram com apenas um ponto cada, mas a seleção canadense ficou à frente no saldo de gols.
O grupo D contou com China, Suécia, Austrália e Gana. A China teve uma das melhores campanhas da primeira fase. Derrotou a Suécia por 2 a 1 na estreia, goleou Gana por 7 a 0 e venceu a Austrália por 3 a 1. Assim como Estados Unidos e Noruega, terminou com três vitórias em três jogos, nove pontos e uma defesa muito sólida: apenas dois gols sofridos. A Suécia ficou com a segunda vaga, vencendo Austrália e Gana depois da derrota para a China. Austrália e Gana terminaram empatados com um ponto, mas a Austrália levou vantagem no saldo de gols.
No panorama geral, a primeira fase mostrou quatro grandes forças: Estados Unidos, Noruega, China e Brasil. As três primeiras terminaram seus grupos invictas e com nove pontos no caso de EUA, Noruega e China, enquanto o Brasil somou sete. Também chamaram atenção as goleadas — como os 7 a 1 de Brasil e Estados Unidos e os 7 a 0 da China e da Noruega — mostrando a enorme diferença de nível que ainda existia entre as principais potências e algumas seleções em desenvolvimento.
Ao fim da fase de grupos, os confrontos das quartas de final ficaram assim: China x Rússia, Noruega x Suécia, Estados Unidos x Alemanha e Brasil x Nigéria. A partir daí, o torneio ganhou ainda mais intensidade. Naquela edição, se uma partida terminasse empatada após os 90 minutos, havia prorrogação de dois tempos de 15 minutos; pela primeira vez na história da competição feminina, a regra do gol de ouro era utilizada.
Nas quartas de final, a China derrotou a Rússia por 2 a 0, enquanto a Noruega venceu a Suécia por 3 a 1. Os dois jogos restantes foram muito mais dramáticos. Os Estados Unidos, donos da casa, venceram a Alemanha por 3 a 2, depois de chegarem a estar atrás no placar. Já o Brasil protagonizou um dos jogos mais emocionantes do torneio contra a Nigéria: abriu 3 a 0 no primeiro tempo, sofreu o empate na etapa final e só conseguiu a classificação na prorrogação, quando Sissi marcou o gol de ouro, garantindo a vitória brasileira por 4 a 3.
Nas semifinais, o Brasil enfrentou os Estados Unidos em Stanford. A equipe americana venceu por 2 a 0, com gols de Cindy Parlow e Michelle Akers, encerrando o sonho brasileiro de chegar à decisão. Na outra semifinal, a China surpreendeu a então campeã mundial Noruega com uma goleada de 5 a 0. Assim, a final colocou frente a frente Estados Unidos e China, enquanto Brasil e Noruega disputariam o terceiro lugar.
Na disputa pelo terceiro lugar, Brasil e Noruega fizeram uma partida equilibrada no Rose Bowl, em Pasadena. O placar permaneceu 0 a 0 durante os 90 minutos e também na prorrogação, levando a decisão para os pênaltis. O Brasil venceu por 5 a 4 e terminou a Copa na terceira colocação. Foi uma campanha histórica para a seleção brasileira, que pela primeira vez havia conseguido chegar ao mata-mata de uma Copa do Mundo feminina.
A grande final, em 10 de julho de 1999, tornou-se um dos jogos mais famosos da história do futebol feminino. Estados Unidos e China empataram em 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, diante de mais de 90 mil torcedores no Rose Bowl. Na disputa por pênaltis, as americanas venceram por 5 a 4. A goleira Briana Scurry defendeu uma cobrança chinesa, e Brandi Chastain converteu o pênalti decisivo, dando aos Estados Unidos o seu segundo título mundial e o primeiro conquistado por uma seleção feminina jogando em casa.

País-Sede: Estados Unidos.
Campeão: Estados Unidos.
Vice-Campeã: China.
Bola de Ouro: Sun Wen (CHN).
Chuteira de Ouro: Sissi (BRA).
Imagem: FIFA