Copa do Mundo 2018: Resumo Final


Depois de 20 anos, França volta ao topo do planeta



A França foi a grande campeã da Copa do Mundo 2018. O selecionado gaulês venceu a Croácia por 4 a 2, na grande final, disputada em Moscou, no Estádio Lujniki, e se sagrou campeão do Mundo pela segunda vez na história, coroando uma campanha ótima, onde passou pelo lado mais difícil do chaveamento para triunfar. Mandzukic (contra), Griezmann, Pogba e Mbappé fizeram os gols franceses, enquanto Perisic e Mandzukic fizeram os tentos croatas. Mesmo com a derrota, a Croácia também leva um feito para a história.


A Copa do Mundo 2018 trouxe novos conceitos ao futebol. Se os mundiais de 2010 e 2014, foram de muita bola rolando pelo chão e no meio-campo, essa Copa teve muito jogo direto. E não necessariamente um modo de jogar é melhor que o outro, mas é diferente, e cada um cabe para cada contexto. Cabe assim aos treinadores entenderem qual estilo melhor encaixa em sua equipe. Não é de se espantar, que as duas últimas campeãs do Mundo e a última vice-campeã, três seleções que jogam com ataque posicional, deram adeus ao torneio precocemente, e a vice-campeã de 2010, a Holanda, nem se classificou para a disputa.


Um total de 32 seleções participaram da Copa do Mundo 2018, sendo elas: Rússia, Arábia Saudita, Egito, Uruguai, Portugal, Espanha, Marrocos, Irã, França, Austrália, Peru, Dinamarca, Argentina, Islândia, Croácia, Nigéria, Brasil, Suíça, Costa Rica, Sérvia, Alemanha, México, Suécia, Coreia do Sul, Bélgica, Panamá, Tunísia, Inglaterra, Polônia, Senegal, Colômbia e Japão.

A fase de grupos da Copa do Mundo 2018


A fase de grupos da Copa do Mundo de 2018, realizada na Rússia, foi disputada entre os dias 14 e 28 de junho. Ao todo, 32 seleções foram divididas em oito grupos, identificados pelas letras A a H, com quatro equipes em cada um. Cada seleção disputou três partidas, enfrentando uma vez cada adversário de seu grupo. Ao final, as duas melhores equipes de cada grupo avançaram para as oitavas de final.

No Grupo A, a Rússia, anfitriã da competição, começou com uma goleada por 5 a 0 sobre a Arábia Saudita e depois venceu o Egito por 3 a 1. Mesmo perdendo para o Uruguai por 3 a 0 na última rodada, garantiu a segunda colocação, atrás dos uruguaios, que venceram todas as partidas. Egito e Arábia Saudita foram eliminados.

No Grupo B, Espanha e Portugal protagonizaram um dos jogos mais marcantes da primeira fase, empatando por 3 a 3 em uma partida emocionante. A Espanha terminou na liderança, com cinco pontos, enquanto Portugal ficou em segundo, também com cinco pontos. O Irã terminou próximo dos classificados, com quatro pontos, e o Marrocos foi eliminado com apenas um ponto.

No Grupo C, a França apresentou um futebol consistente e terminou em primeiro lugar, com sete pontos. A Dinamarca ficou com a segunda posição, após empatar com a França na última rodada. A Austrália e o Peru foram eliminados, embora os peruanos tenham conseguido uma vitória sobre os australianos na rodada final. A França avançou como uma das equipes mais fortes da competição.

No Grupo D, a Croácia foi uma das grandes surpresas positivas da fase de grupos. A seleção croata venceu Nigéria, Argentina e Islândia, terminando com nove pontos e aproveitamento de 100%. A Argentina, apesar de um início difícil e de uma derrota por 3 a 0 para a Croácia, conseguiu avançar em segundo lugar depois de vencer a Nigéria por 2 a 1 na última rodada. Nigéria e Islândia ficaram pelo caminho.

No Grupo E, o Brasil começou a competição com um empate por 1 a 1 contra a Suíça, resultado que gerou algumas dúvidas sobre o desempenho da equipe. Entretanto, a seleção brasileira venceu Costa Rica e Sérvia nas rodadas seguintes e terminou na liderança, com sete pontos. A Suíça ficou em segundo lugar, com cinco pontos, enquanto Sérvia e Costa Rica foram eliminadas.

No Grupo F, a Alemanha, então campeã mundial, protagonizou uma das maiores decepções da competição. Depois de perder para o México por 1 a 0 e vencer a Suécia por 2 a 1, a Alemanha precisava de um bom resultado contra a Coreia do Sul. Porém, sofreu dois gols nos acréscimos e perdeu por 2 a 0, sendo eliminada ainda na fase de grupos. O México terminou em segundo lugar, enquanto a Suécia liderou o grupo.

No Grupo G, a Bélgica e a Inglaterra tiveram campanhas perfeitas nas duas primeiras rodadas e garantiram a classificação antecipadamente. Na última partida, as duas equipes se enfrentaram e a Bélgica venceu por 1 a 0, terminando na liderança com nove pontos. A Inglaterra ficou em segundo, enquanto Tunísia e Panamá foram eliminados. O grupo também ficou marcado pela goleada da Inglaterra por 6 a 1 sobre o Panamá.

No Grupo H, a Colômbia, que havia perdido para o Japão na estreia, recuperou-se e venceu Polônia e Senegal. Com seis pontos, terminou na liderança. O Japão ficou em segundo lugar, beneficiado pelo critério de fair play depois de empatar em pontos, saldo de gols e gols marcados com Senegal. Polônia e Senegal foram eliminados, apesar de Senegal ter terminado com os mesmos quatro pontos do Japão.

Ao término da fase de grupos, 16 seleções avançaram para as oitavas de final. Entre os principais destaques estavam a Croácia, que venceu todos os seus jogos, a Bélgica, também com três vitórias, e a eliminação surpreendente da Alemanha. Brasil, França, Espanha, Uruguai, Inglaterra e Portugal também garantiram suas classificações, enquanto seleções como Argentina e Colômbia precisaram esperar até a última rodada para garantas.

O mata-mata 


A França abriu a fase eliminatória com uma vitória emocionante sobre a Argentina por 4 a 3, em um dos melhores jogos do torneio. O jovem Kylian Mbappé foi o grande destaque da seleção francesa.

O Uruguai também avançou ao derrotar Portugal por 2 a 1, com dois gols de Edinson Cavani. Já a Espanha foi eliminada pela anfitriã Rússia. Após o empate em 1 a 1 no tempo regulamentar e na prorrogação, os russos venceram por 4 a 3 nos pênaltis.

A Croácia também precisou das penalidades para eliminar a Dinamarca. Depois de um empate por 1 a 1, os croatas venceram a disputa por pênaltis e garantiram a classificação.

Ainda nas oitavas, o Brasil derrotou o México por 2 a 0, com gols de Neymar e Roberto Firmino.

A Bélgica protagonizou uma das grandes viradas da Copa. Diante do Japão, chegou a estar perdendo por 2 a 0, mas reagiu e venceu por 3 a 2, com o gol da classificação marcado no último lance da partida.

Nos outros confrontos, a Suécia venceu a Suíça por 1 a 0, enquanto a Inglaterra eliminou a Colômbia nos pênaltis, depois de um empate por 1 a 1.


Nas quartas de final, a França derrotou o Uruguai por 2 a 0 e garantiu uma vaga entre as quatro melhores seleções do Mundial.

A Bélgica surpreendeu o Brasil e venceu por 2 a 1, eliminando a seleção brasileira e avançando para a semifinal.

A Inglaterra derrotou a Suécia por 2 a 0 e voltou a disputar uma semifinal de Copa do Mundo pela primeira vez desde 1990.

O confronto mais dramático das quartas de final aconteceu entre Croácia e Rússia. Depois de um empate por 1 a 1 no tempo regulamentar, as equipes marcaram novamente na prorrogação, terminando em 2 a 2. Nos pênaltis, a Croácia venceu por 4 a 3 e garantiu sua classificação.

Na primeira semifinal, França e Bélgica fizeram um duelo equilibrado. A seleção francesa venceu por 1 a 0, com gol de cabeça de Samuel Umtiti, e garantiu sua vaga na grande decisão.

Na outra semifinal, Croácia e Inglaterra protagonizaram mais um jogo intenso. Os ingleses abriram o placar, mas os croatas buscaram o empate no segundo tempo. Na prorrogação, Mario Mandžukić marcou o gol da vitória por 2 a 1.




VAR foi um acerto



A primeira Copa do Mundo no Leste Europeu, também foi a primeira Copa do Mundo com uso da arbitragem de vídeo, o famoso VAR. E se havia resistência ao uso da tecnologia no futebol, ela ficou sem argumentos. Vários pênaltis foram marcados ou anulados, assim como impedimentos, com justiça, por conta do uso da tecnologia, que só poderia ter sido ainda mais usada. O VAR só foi usado em lances de área e impedimento, além de conduta anti-desportiva, mas mesmo assim, já trouxe mais justiça à uma Copa do Mundo, que ficará marcada por muitas coisas, menos pelos erros de arbitragem. Em pouco tempo na presidência da FIFA, Gianni Infantino já trouxe ao menos uma década de avanço neste sentido.


Africanos ficaram fora das oitavas-de-final


Pela primeira vez, desde que a África passou a ter mais de duas vagas para a Copa do Mundo, mais seleções do norte foram à Copa, do que do Sul. Únicos times da África Subsaariana na Copa do Mundo 2018, Nigéria e Senegal chegaram a estar classificadas para as oitavas-de-final durante a última rodada, mas acabaram derrotadas por Argentina e Colômbia, e ficaram de fora. Os senegaleses, perderam a segunda posição do Grupo H para o Japão no critério dos cartões amarelos, após vencerem a Polônia e empatarem com o Japão, com um futebol que se defendia bem com linhas próximas, e contra-atacava com muita velocidade, apostando em Niang e Mané. Assim como fez com o Liverpool na final da Champions League, após a lesão de Mohamed Salah, Sadio Mané mais uma vez chamou a responsabilidade para si nos jogos, chamando o jogo entrelinhas, mas errou demais nos gestos técnicos.


Com a supracitada lesão de Salah, que jogou a Copa do Mundo descontado, o Egito viu o plano de jogo do técnico Héctor Cúper muito prejudicado, e quando sonhava com as oitavas-de-final, terminou na lanterna da chave A. O Marrocos, mesmo sem grandes desfalques, e fazendo três bons jogos, terminou na lanterna da chave B, que era bem complicada, com a companhia de Irã, Portugal e Espanha. Os marroquinos de Hervé Renard mostraram um futebol possessivo, capaz também de jogar diretamente, mas não era o seu torneio. Já a Tunísia, sem Msakani, se viu bem prejudicada, mesmo que Khazri tenha chamado o protagonismo para si. Mesmo assim, o time estava na mesma chave do Panamá, a quem derrotou na última rodada da fase de grupos, no que foi a sua primeira vitória em Copas em 40 anos, já que a última havia sido na Argentina, em 1978.



Asiáticos mostram bom futebol, mas resultados irregulares



Dá para dizer que as seleções asiáticas mostraram boas ideias nesta Copa do Mundo 2018. Apesar de massacrada pela Rússia na estreia, a Arábia Saudita mostrou boas coisas na derrota para o Uruguai, e na vitória sobre o Egito. A impressão que ficou, foi de que se tivesse chegado antes, Pizzi poderia ter feito um trabalho ainda melhor no comando técnico.


E a Arábia Saudita foi a pior seleção asiática nessa Copa. A Coreia do Sul, por exemplo, estreou tímida contra a Suécia, mas já contra o México mostrou boas coisas, se despedindo da Copa com uma surpreendente vitória sobre a Alemanha, que eliminou o selecionado germânico da competição. A Austrália vendeu caro a derrota para a França na estreia, assim como fez contra o Peru, e ainda arrancou um empate com a Dinamarca. Treinada por Bert van Marwijk, responsável por classificar a Arábia Saudita ao Mundial, a seleção oceânica mostrou boa capacidade de criação com Mooy e Jedinak na base da jogada, jogo entre linhas com Rogic, e capacidade de atacar pelos lados lados, fazendo o que pode, mas parando em suas limitações técnicas.


O Irã do técnico Carlos Queiroz passou perto da classificação. Após uma vitória com um gol no finalzinho contra Marrocos na estreia, o selecionado persa fez a Espanha sofrer, com uma estrutura defensiva muito forte, e castigou ainda mais Portugal, de quem arrancou um empate. Quase avançou de fase, apresentando bons valores individuais como o volante Ezatolahi, e o atacante Azmoun, mas acima de tudo, muita capacidade coletiva. Com um futebol possessivo, que apostava nos apoios do centroavante Ozako, na capacidade de criação de Gaku Shibasaki, e na individualidade de Takashi Inui, o Japão estreou vencendo a Colômbia, empatou com Senegal, e nem a derrota para a Polônia lhe tirou a vaga no mata-mata. Nas oitavas, chegou a estar vencendo a Bélgica por 2 a 0, mas levou a virada.



Latino-americanos decepcionam


Sem os EUA, só seleções latinas representaram as Américas na Copa do Mundo 2018. E de certo modo, a participação não foi boa em termos de resultados, e apenas regular em desempenho. O Panamá foi a pior seleção do Mundial, tanto em campanha, quanto em desempenho. Após alguns minutos de resistência contra a Bélgica, o selecionado centro-americano apresentou uma marcação em bloco com linhas altas, que não pressionavam o portador da bola, e davam muito espaço atrás. Assim, perderam para os belgas por 3 a 0, para a Tunísia por 2 a 1, e foram goleados pela Inglaterra por 6 a 1.


A Costa Rica, até mostrou capacidade para recuperar sua capacidade de se defender da Copa de 2014, mas com a bola, só foi mostrar algo com a entrada de Joel Campbell, contra a Suíça, quando já estava eliminada. E o México de Juan Carlos Osório, montou um XI para transitar com Lozano, que deu certo contra a Alemanha, e em partes contra o Brasil, mas não contra a Coréia do Sul, e especialmente contra a Suécia, deixando o país, mais uma vez, sem um quinto jogo mundialista fora do território mexicano.


Das seleções sul-americanas, o Uruguai de Oscar Tabárez foi a melhor. Com um jogo de muita concentração na defesa, e ataque direto, foi até as quartas-de-final, caindo diante da França, e encerrando a competição em quinto lugar. O Brasil foi o sexto. Dividido entre o modelo de jogo das eliminatórias, e o ataque posicional, o time de Tite passou da fase de grupos, eliminou o México, mas caiu nas quartas-de-final também, diante da Bélgica.


A Argentina de Jorge Sampaoli, após muita bagunça na AFA e o drama das finais perdidas, chegou na Copa do Mundo atabalhoada, e após empate com a Islândia e derrota para a Croácia, só passou da fase de grupos por conta de uma vitória milagrosa sobre a Nigéria. Depois, perdeu para a França, por 4 a 3, nas oitavas-de-final, dando adeus ao torneio precocemente, mesmo que de cabeça erguida.


Com James lesionado, a Colômbia fez o que pode, até cair nas oitavas, nos pênaltis, diante da Inglaterra. Já o Peru, voltando às Copas após 32 anos, sentiu, e perdeu para Dinamarca e França em seus dois primeiros jogos, vencendo a Austrália, quando já estava eliminado.



A Copa do Mundo virou uma Eurocopa


Das 14 seleções europeias que disputaram a Copa do Mundo 2018, dez avançaram para as oitavas de final, que tinham 16 participantes. Só a Alemanha, atual campeã, com sérios problemas nas conclusões e na transição defensiva, a Polônia, decepcionante, a Sérvia, e a Islândia, que fez o que pode, e chegou a empatar com a Argentina, caíram na primeira fase. País-sede, a Rússia temia cair na fase de grupos, mas com um futebol direto, que apostava no pressing e nos lançamentos para Dzyuba, chegou nas quartas-de-final, perdendo apenas nos pênaltis para a Croácia. Chegou a eliminar a Espanha, nas oitavas, também nos pênaltis. Os espanhóis, com Julen Lopetegui demitido às vésperas da Copa, e Hierro assumindo como interino, teve problemas de profundidade e na transição defensiva, também decepcionando.


Sem uma referência ao lado de Cristiano Ronaldo, Portugal caiu nas oitavas-de-final, diante do Uruguai, mesma fase onde a Suíça caiu diante da Suécia, e a Dinamarca diante da Croácia. Os suecos deram adeus à Copa na fase seguinte, sendo eliminados pela Inglaterra, mas mostraram uma capacidade coletiva tremenda, funcionando como um organismo vivo. O time tinha os extremos Claeson e Forberg fazendo algumas ações sem bola e conduzindo e pegando rebotes, Ekdal e Larson fazendo ações sem bola e começando transições, Granqvist defendendo a área, e Berg e Toivonen recebendo jogo direto. Cada um fazia sua parte bem, e o time foi além das suas próprias expectativas.




Inglaterra superou as expectativas, mas teve frustração na semifinal



A Inglaterra foi uma das melhores seleções da Copa do Mundo 2018, em desempenho e resultado, é isso é surpreendente. O técnico Gareth Southgate, em pouco tempo de trabalho, conseguiu montar um XI muito forte, aproveitando a promissora geração de atletas, e o trabalho dos grandes treinadores da Premier League, que evoluíram vários nomes, como por.exemplo, o veterano Ashley Young, um dos mais experientes do elenco. Outrora um extremo mediano, virou um ótimo ala esquerdo com José Mourinho no Manchester United, e foi o dono do setor no 5-3-2 do English Team.


Outros atletas evoluíram nas mãos de Maurício Pochettino no Tottenham, e Pep Guardiola no Manchester City, enquanto Jordan Henderson, que cresceu muito com Jurgen Klopp no Liverpool, foi o dono do meio-campo, fosse lançando, fosse pegando a segunda bola, ou desarmando. A equipe jogava com constantes apoios de Harry Kane e Raheen Sterling, e rupturas do mesmo, e dos interiores Jesse Lingard e Dele Alli, enquanto os alas Trippier e Young davam amplitude, e os zagueiros Walker (um lateral adaptado), Stones e Maguire, faziam a saída de bola.


Outro destaque foi o goleiro Pickford, pena que exigido justamente pela falta de pegada e concentração do time nas duas áreas, algo que quase custou caro contra Colômbia e Suécia, e trouxe a eliminação contra a Croácia, mas também é natural em um time cheio de garotos. Essa geração inglesa é boa, e à ela, vários novos valores, dos times campeões do mundo Sub-20 e Sub-17, que ainda não foram à Rússia, vão se juntar. O bicampeonato mundial inglês deve sair no Catar ou na América do Norte. Mas na Rússia, não foi a hora.


Bélgica: um bronze para uma geração de ouro



A Geração Belga, depois de levar o país de volta às Copas do Mundo e chegar nas quartas-de-final em 2014, mas fracassar na Euro 2016, enfim deu um passo a mais nesta Copa do Mundo 2018, e chegou no Final Four do Mundial disputado na Rússia, terminando a copa no terceiro lugar. Com Roberto Martínez no comando, o selecionado belga apresentou um jogo posicional, para encarar os rivais iniciais, com os quais o sorteio lhe favoreceu com um caminho tranquilo, mas depois, o planejamento de jogo característico do espanhol, já mostrado nos tempos de Wigan e Everton, se fez presente. Após goleadas sobre Panamá e Tunísia nas rodadas iniciais, e vitória sobre a Inglaterra na terceira rodada, em duelo de times mistos, a Bélgica levou um susto ao se ver perdendo por 2 a 0 para o Japão, mas soube usar a força física e a estatura de seus principais jogadores, forjados no fogo da Premier League, para virar.


Nas quartas-de-final, Martínez soube controlar os principais pontos fortes do Brasil, e explorar as fraquezas, usando a supracitada força física, e o talento de nomes como Hazard e De Bruyne, que utilizaram a sua capacidade técnica para marcar diferenças. As qualidades belgas também foram utilizadas para bater de frente com a França nas semifinais, em um jogo de xadrez, onde o time francês soube reagir às ações do plano de jogo belga, para vencer e chegar na final. Mesmo assim, os belgas chegaram a uma semifinal que não vinha desde 1986, quando caíram diante da Argentina de Maradona, Valdano, e companhia. A geração de Hazard e De Bruyne iguala assim a de Scifo, e pode futuramente até pensar em ir mais longe.




Croácia: um vice-campeonato histórico 


A Croácia de Zlato Dalic, independente do resultado da final, foi a surpresa da Copa do Mundo 2018, alcançando um histórico vice-campeonato. Chamado às pressas para dirigir a seleção croata na repescagem, Dalic não só classificou o país ao Mundial, como montou um XI estável, como há vinte anos o mesmo não tinha. Luka Modric e Ivan Rakitic, como um duplo pivote ou interiores, ganharam liberdade para subir e pressionar, enquanto Mandzukic se soma à eles, já como centroavante, também recebendo jogo direto. Perisic e Rebic são os extremos que hora apoiam, hora fazem diagonais, enquanto ou o time conta com um pivote, Brozovic, ou um mediapunta, Kramaric, dependendo da estratégia e do rival. Entre os laterais, Vrsaljko garante profundidade pela direita, setor onde Lovren faz a saída de bola, e Vida faz a cobertura, com Strinic como um lateral que busca menos a força.




França e o bicampeonato 






Assim como na Euro que sediou em 2016, a França foi a melhor seleção da Copa do Mundo 2018. O técnico Didier Deschamps montou um XI que dá liberdade organizada para os seus jogadores brilharem, com atletas de grande capacidade física, velocidade, e talento. Mbappé, por exemplo, reúne muita velocidade e habilidade, e parte do flanco para dentro, enquanto Griezmann usa a sua técnica a partir do entrelinhas. A entrada de Giroud e seus movimentos de pivô potencializou os dois, que contam com o trio Kanté, Pogba e Matuidi mais atrás, e um sistema defensivo formado pelo goleiro Hugo Lloris, e os defensores Pavard, Varane, Umtiti e Lucas Hernandez, que se mostraram muito sólidos defendendo espaços durante toda a competição.




Premiações individuais



Antoine Griezmann foi eleito o melhor jogador em campo na final, e ficou com a Bola de Bronze do torneio, enquanto Luka Modric foi eleito pela FIFA o Bola de Ouro da Copa do Mundo 2018. Kylian Mbappé, outro nome próprio dessa Copa do Mundo, foi eleito o melhor jogador jovem, tendo se tornado o segundo jogador mais jovem a marcar um gol em final de Copa, aos 19 anos, só sendo superado por Pelé, que em 1958 deu show aos 17 anos.


Da terceira colocada Bélgica, veio o Bola de Prata, Eden Hazard, e o Luva de Ouro, Thibaut Courtois. Já da quarta colocada Inglaterra, saiu o artilheiro, Harry Kane. A Espanha levou o troféu Fair Play. Já Didier Deschamps, ao levar à França a conquistar essa Copa, igualou Zagallo e Beckenbauer, como profissionais campeões mundiais como treinador e jogador. Prêmio à um comandante que entendeu as necessidades do jogador francês, dando liberdade com organização, algo que sempre foi a marca da escola vencedora do futebol, agora bicampeão mundial.




Bola de Ouro: Luka Modric (Croácia).

Bola de Prata: Eden Hazard (Bélgica).

Bola de Bronze: Antoine Griezmann (França).

Luva de Ouro: Thibaut Courtois (Bélgica).

Chuteira de Ouro (artilheiro): Harry Kane (Inglaterra).

Golden Boy (melhor jogador jovem): Kylian Mbappé (França).




Essa foi a seleção da Copa do Mundo 2018, montada pela FIFA:


seleção da Copa do Mundo 2018




Confira abaixo, todos os resultados da Copa do Mundo 2018:




Fase de grupos



Grupo A



1° Uruguai: 9 pontos

2º Rússia 6 pontos

3° Arábia Saudita: 3 6 pontos (Eliminada)

4° Egito: 0 pontos (Eliminado)



Resultados:


Rússia 5x0 Arábia Saudita

Egito 0x1 Uruguai

Rússia 3x1 Egito

Uruguai 1x0 Arábia Saudita

Uruguai 3x0 Rússia

Arábia Saudita 2x1 Egito



Grupo B



1° Espanha: 5 pontos

2° Portugal: 5 pontos

3° Irã: 4 pontos (eliminado)

4° Marrocos: 1 pontos (eliminado)


Resultados:


Marrocos 0x1 Irã

Espanha 3x3 Portugal

Portugal 1x0 Marrocos

Espanha 1x0 Irã

Espanha 2x2 Marrocos

Portugal 1x1 Irã



Grupo C



1° França: 7 pontos

2° Dinamarca: 5 pontos

3° Peru: 3 pontos (eliminado)

4° Austrália: 1 ponto (eliminada)


Resultados:


Austrália 1x2 França

Dinamarca 1x0 Peru

França 0x1 Peru

Dinamarca 1x1 Austrália

França 0x0 Dinamarca

Peru 2x1 Austrália



Grupo D



1° Croácia: 9 pontos

2° Argentina: 4 pontos

3° Nigéria: 3 pontos (eliminada)

4° Islândia: 1 ponto (eliminada)



Resultados:


Argentina 1x1 Islândia

Croácia 2x0 Nigéria

Argentina 0x3 Croácia

Islândia 0x2 Nigéria

Argentina 2x1 Nigéria

Croácia 2x1 Islândia



Grupo E



1° Brasil 7 pontos

2° Suíça: 5 pontos

3° Sérvia:⁠ 3 pontos (eliminada)

4° Costa Rica: 1 ponto (eliminada)


Resultados:


Costa Rica 0x1 Sérvia

Brasil 1x1 Suíça

Brasil 2x0 Costa Rica

Sérvia 1x2 Suíça

Costa Rica 2x2 Suíça

Sérvia 0x2 Brasil


Grupo F


1° Suécia: 6 pontos

2° México: 6 pontos

3° Coréia do Sul: 3 pontos (eliminada)

4° Alemanha: 3 pontos (eliminada)


Resultados:


México 1x0 Alemanha

Suécia 1x0 Coréia do Sul

Coréia do Sul 1x2 México

Alemanha 2x1 Suécia

Coréia do Sul 2x0 Alemanha

México 0x3 Suécia



Grupo G



1° Bélgica: 9 pontos

2° Inglaterra: 6 pontos

3° Tunísia: 3 pontos (eliminada)

4° Panamá: 0 pontos (eliminado)


Resultados:


Bélgica 3x0 Panamá

Inglaterra 2x1 Tunísia

Bélgica 5x2 Tunísia

Inglaterra 6x1 Panamá

Inglaterra 0x1 Bélgica

Tunísia 2x1 Panamá



Grupo H


1° Colômbia: 6 pontos

2° Japão: 4 pontos

3° Senegal: 4 pontos (eliminado)

4° Polônia: 3 pontos (eliminada)


Resultados:


Colômbia 1x2 Japão

Senegal 2x1 Polônia

Polônia 0x3 Colômbia

Japão 2x2 Senegal

Japão 0x1 Polônia

Senegal 0x1 Colômbia



Oitavas-de-final



França 4x3 Argentina

Uruguai 2x1 Portugal

Rússia 1 (4)x(3) 1 Espanha

Croácia 1 (3)x(2) Dinamarca

Brasil 2x0 México

Bélgica 3x2 Japão

Suécia 1x0 Suíça

Colômbia 1 (4)x(3)1 Inglaterra



Quartas-de-final


França 2x0 Uruguai

Bélgica 2x1 Brasil

Inglaterra 2x0 Suécia

Croácia 2 (4)x(3) Rússia


Semifinais


França 1x0 Bélgica

Croácia 2x1 Inglaterra


Disputa do 3o Lugar


Bélgica 2x0 Inglaterra


Final


França 4x2 Croácia



A nossa seleção da copa do Mundo 2018: Courtois; Trippier, Granqvist, Godín e Lucas Hernandez; Pogba, Rakitic e Modric; Mbappé, Griezmann e Hazard. Técnico: Didier Deschamps.




Classificação final das 32 seleções da Copa do Mundo 2018:



Final Four:


1º França

2° Croácia

3° Bélgica

4° Inglaterra


Eliminadas nas quartas-de-final:


5º Uruguai

6º Brasil

7º Suécia

8º Rússia


Eliminadas nas oitavas-de-final:


9º Colômbia

10º Espanha

11º Dinamarca

12º México

13º Portugal

14º Suíça

15º Japão

16º Argentina


Eliminadas na fase de grupos:


17º Senegal

18º Irã

19º Coreia do Sul

20º Peru

21º Nigéria

22º Alemanha

23º Sérvia

24º Tunísia

25º Polônia

26º Arábia Saudita

27º Marrocos

28º Islândia

29º Costa Rica

30º Austrália

31º Egito

32º Panamá