Euro 2016: A consagração de Portugal

A Euro 2016 foi a primeira edição da competição com 24 participantes. O inchaço, não resultou em um melhor nível técnico, mas certamente agregou em animação. A maioria das seleções estreantes trouxeram com elas os seus fanáticos torcedores, que deram um verdadeiro show nas arquibancadas. O torneio com um novo formato também contou com um campeão inédito, consagrando Portugal com a sua primeira grande taça na história.

A primeira fase da Euro 2016 acabou sem muitas surpresas. Afinal, 16 das 24 seleções participantes avançavam de fase, e era difícil um dos favoritos ficar de fora. O novo formato, adotado pela primeira vez naquela edição, permitia que os quatro melhores terceiros colocados também garantissem uma vaga nas oitavas de final. Com isso, algumas seleções conseguiram sobreviver mesmo sem apresentar um desempenho brilhante na fase de grupos.

A anfitriã França começou a competição cercada de expectativas e confirmou sua classificação em um Grupo A que também contava com Suíça, Albânia e Romênia. Os franceses venceram a Romênia na estreia, com um belo gol de Dimitri Payet nos minutos finais, e depois bateram a Albânia por 2 a 0. Na última rodada, porém, ficaram apenas no empate sem gols com a Suíça e terminaram na liderança da chave. Os suíços avançaram em segundo, enquanto a Albânia, apesar de vencer a Romênia, acabou eliminada por ter um saldo de gols inferior ao de outras terceiras colocadas.

No Grupo B, o destaque ficou por conta do País de Gales, que disputava sua primeira Eurocopa. Liderados por Gareth Bale, os galeses venceram a Eslováquia e a Rússia e garantiram a primeira colocação da chave. A Inglaterra, por sua vez, teve uma campanha mais irregular: venceu o País de Gales de virada, empatou com a Eslováquia e terminou apenas em segundo lugar. A Eslováquia ainda avançou como uma das melhores terceiras colocadas, enquanto a Rússia decepcionou e acabou eliminada.

O Grupo C também teve uma seleção estreante chamando atenção: a Irlanda do Norte. Mesmo derrotada pela Polônia na estreia, a equipe conseguiu vencer a Ucrânia por 2 a 0 e, com uma derrota apertada para a Alemanha na última rodada, garantiu sua classificação entre os melhores terceiros colocados. A Alemanha, atual campeã mundial, não teve uma campanha espetacular, mas terminou na liderança do grupo, à frente da Polônia. Já a Ucrânia perdeu os três jogos e foi a primeira seleção da história da Eurocopa a terminar uma participação sem marcar sequer um gol.

Depois de chegar sob desconfiança à França, a Itália de Antonio Conte soube usar a fase de grupos para mostrar que poderia competir em alto nível. A equipe estreou vencendo a Bélgica por 2 a 0, derrotou a Suécia por 1 a 0 e garantiu antecipadamente a primeira colocação do Grupo E. Na última rodada, com uma equipe bastante modificada, perdeu para a Irlanda por 1 a 0. O resultado acabou sendo histórico para os irlandeses, que avançaram graças ao gol de Robbie Brady nos minutos finais e deixaram a Suécia de Zlatan Ibrahimović eliminada.

No Grupo D, a Espanha, então atual campeã europeia, começou bem ao vencer a República Tcheca e a Turquia, mas perdeu para a Croácia na última rodada e terminou em segundo lugar. Os croatas, que haviam conseguido uma grande virada sobre a Espanha, ficaram com a liderança. A República Tcheca também protagonizou uma reação impressionante diante da Croácia, marcando dois gols nos minutos finais para buscar o empate, mas acabou eliminada na fase de grupos.

Já o Grupo F ficou marcado por uma das maiores surpresas da competição. A pequena Islândia, estreante em grandes torneios, empatou com Portugal e Hungria e venceu a Áustria na última rodada, terminando na segunda colocação. A equipe islandesa conquistou rapidamente a simpatia do público graças ao seu estilo aguerrido e, principalmente, à presença de milhares de torcedores nas arquibancadas. A Hungria, por sua vez, terminou na liderança da chave, enquanto Portugal avançou em terceiro lugar depois de empatar suas três partidas.

Com o encerramento da fase de grupos, começaram as oitavas de final e, com elas, alguns dos confrontos mais marcantes daquela edição. A Croácia, que vinha de uma vitória sobre a Espanha, acabou eliminada por Portugal em um jogo bastante equilibrado, decidido apenas na prorrogação. A Polônia eliminou a Suíça nos pênaltis, enquanto o País de Gales confirmou sua boa campanha ao derrotar a Irlanda do Norte por 1 a 0, em um duelo entre duas seleções britânicas.

Quem também fez bonito foi a Islândia. Empurrada por sua fanática torcida, a seleção venceu a Inglaterra por 2 a 1, de virada, em um dos resultados mais inesperados da história da competição. A Inglaterra abriu o placar logo no início, mas os islandeses reagiram rapidamente e conseguiram a classificação. O resultado provocou uma enorme repercussão e transformou a Islândia em uma das grandes histórias daquela Eurocopa. Nas quartas de final, entretanto, o conto de fadas chegou ao fim diante dos anfitriões franceses, que venceram por 5 a 2.

Outra seleção que surpreendeu foi a Irlanda do Norte. Com sua torcida entoando o inesquecível canto "Will Grigg's on Fire", o selecionado avançou pela primeira vez ao mata-mata de uma Eurocopa e encarou o País de Gales nas oitavas de final. Em uma partida equilibrada, os galeses venceram por 1 a 0, graças a um gol contra de Gareth McAuley. Mesmo eliminada, a Irlanda do Norte deixou uma das imagens mais marcantes da competição por causa da festa de seus torcedores nas arquibancadas e nas ruas da França.

A Itália, por sua vez, enfrentou justamente a Espanha nas oitavas de final. Depois de uma partida intensa, a equipe de Conte venceu por 2 a 0, com gols de Giorgio Chiellini e Graziano Pellè, eliminando a então atual campeã europeia. O resultado confirmou a evolução italiana ao longo da competição e colocou a seleção diante da Alemanha nas quartas de final. Em outro confronto importante, a França superou a Irlanda de virada, enquanto Portugal eliminou a Polônia nos pênaltis. A Alemanha, após passar pela Eslováquia, completou o grupo de classificados para as semifinais.



As semifinais


O País de Gales de Gareth Bale, Ramsey, Williams e Allen, por sinal, foi um dos grandes destaques do torneio. Depois de eliminar a Bélgica nas quartas, os galeses só caíram diante de Portugal nas semis. Os tugas, depois de passarem sufoco na fase de grupos, nas Oitavas diante da Croácia, e nas quartas, quando precisaram dos pênaltis para eliminar a Polônia, acabaram deslanchando contra os galeses, muito por conta do bom futebol de Cristiano Ronaldo.

Na outra semifinal, a Alemanha acabou eliminada pela França. Os germânicos encurralaram os gauleses em seu campo na maior parte do jogo, mas acabaram não tendo um dia de sorte e viram a França marcar duas vezes com Griezmann, uma delas cobrando um pênalti.


A Grande final



Na decisão, Portugal venceu a França na prorrogação por 1×0, e conquistou o primeiro grande título de sua história no futebol. Algo justo, já que era a única potência futebolística sem troféus. A campanha portuguesa, nem de longe foi perfeita, e certamente os tugas não tinham a melhor seleção. Contudo, a pátria lusitana soube sofrer e crescer na certa, característica comum em torneios de tiro curto, e saiu assim premiada com a conquista da taça.


A França começou melhor a decisão. Portugal perdeu seu principal jogador, Cristiano Ronaldo, logo no comecinho da partida, após uma dividida com Payet. A perda de seu craque poderia ter sido fatal. Mas comandados por Rui Patricio, Pepe e Nani, os guerreiros portugueses levaram o jogo com bravura, e encararam o badalado time francês, na sua casa, de igual para igual.

Os franceses, mais pressionados, buscavam incessantemente o ataque, e foram transformando Rui Patrício no nome do jogo. O arqueiro travou um duelo particular com Sissoko, melhor homem em campo da França. O meia do Newcastle arrematou diversas vezes, mas sempre parava nos milagres de Rui.



No segundo tempo, Portugal se encontrou melhor, e conseguia exigir um pouco mais de Lloris, embora não tanto, como a França exigia de Rui Patrício, que mesmo assim seguiu pegando tudo. O goleiro lusitano foi intransponível. Mesmo quando ele não defendeu, já nos acréscimos da segunda etapa, a trave salvou os portugueses em arremate de Gignac.

A primeira final de Eurocopa a terminar sem gols no tempo normal foi para a prorrogação. Com os dois times cansados, os pênaltis pareciam o caminho certo. Até que, brilhou a estrela de Éder, o herói improvável. Após entrar no jogo no segundo tempo, o camisa 9 acertou um chute preciso, de fora da área, sem chances para Lloris.

Era o gol da primeira conquista portuguesa. Na beira do campo, Cristiano Ronaldo chorava. Ele apenas refletia o sentimento de todo um povo até então sem títulos, que após 12 anos de perder a final em casa para a Grécia, tinha o grito de campeão libertado da garganta.


Ficha Técnica

Portugal 1×0 França

Escalações:


França: Lloris; Sagna, Koscielny, Umtiti, Evra; Matuidi, Pogba; Sissoko, Griezmann, Payet; Giroud

Portugal:
Rui Patricio; Cedric, Fonte, Pepe, Guerreiro; W.Carvalho, Sanches, João Mário, Adrienl Nani, Cristiano Ronaldo.

Data: 10 de julho de 2016

Local: Stade de France, Saint-Denis, França

Árbitro: Mark Clattenburg

Gol: Éder aos 3′ do segundo tempo da prorrogação (Portugal)