A Copa do Mundo de 1974 é um divisor da águas na História do Futebol Mundial. Se em 1966 o jogo duro foi a grande característica, e em 1970, a plasticidade do jogo de seleção Brasileira deu a tônica, o que marcou em 1974 foi a intensidade da Seleção Holandesa, que ficaria eternizada como a laranja mecânica, comandada em campo por Johan Cruyff e no banco por Rinus Michels. Como a Taça Jules Rimet havia sido entregue de maneira definitiva ao Brasil quatro anos antes, por ter vencido três vezes a competição, um novo troféu surgiu, e passou a levar o mesmo nome da Competição: FIFA World Cup.
Além disto, a FIFA tinha um novo presidente após a saída de Sir Stanley Rous: o Brasileiro João Havelange era o primeiro não Europeu a comandar a entidade máxima do Futebol. E além de tudo, a Copa do Mundo sofreria mais uma mudança em seu formato: uma segunda fase de grupos substituiria as quartas de final. Esta Copa foi uma das mais tensas da história, já que tivemos pouco antes o massacre dos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, onde 11 atletas israelenses foram assassinados.
Ao contrário da Copa do Mundo de 1970 no México, disputada sob sol forte e calor, a Copa do Mundo de 1974 teve condições climáticas complicadas, e foi jogada muitas vezes sob Chuva e com gramados desfavoráveis para a prática do Esporte. A Alemanha Ocidental era a grande favorita para a Copa. Jogava em casa e mantinha a base que havia chegado em terceiro na Copa três anos antes e sido Campeã da Eurocopa de 1972. A Nação germânica caiu no grupo A, junto com Chile, Austrália e Alemanha Oriental. Venceu os chilenos por 1 a 0 e a Austrália por 2 a 0 nos dois primeiros jogos, e na última rodada, encarou os vizinhos Orientais, onde supostamente facilitou, para escapar da Holanda na fase seguinte, perdendo por 1 a 0.
Enquanto a Alemanha foi confirmando, a Holanda foi encantando. Logo de cara, a Laranja massacrou o Uruguai de Mazurkiewicz, Forlán, Espárrago e Pedro Rocha, vencendo por 2 a 0, com dois gols de Rep, e só não metendo mais , porque o goleiro charrúa impediu. Mas já ali, se notava a marcação por pressão e o intenso toque de bola. Na sequência, a Holanda empatou em 0 a 0 com a Suécia, e goleou a Búlgaria por 4 a 1, com gols de Neeskens (marcou duas vezes), Rep e De Jong.
O grupo B do Brasil foi bastante equilibrado entre as três principais equipes. O Brasil, então tricampeão mundial, chegou à Alemanha Ocidental sem Pelé e com uma seleção em processo de renovação. Na estreia, em 13 de junho, empatou em 0 a 0 com a Iugoslávia. Cinco dias depois, novamente não conseguiu marcar e ficou no 0 a 0 contra a Escócia. Esses dois resultados deixaram o Brasil em uma situação delicada, pois precisava vencer o Zaire na última rodada. Enquanto isso, a Iugoslávia começou de maneira impressionante, derrotando o Zaire por 9 a 0, uma das maiores goleadas da história das Copas. A Escócia havia vencido o Zaire por 2 a 0 e depois empatado com o Brasil. Na última rodada, Iugoslávia e Escócia empataram por 1 a 1, enquanto o Brasil finalmente conseguiu vencer: fez 3 a 0 no Zaire, com gols de Jairzinho, Rivelino e Valdomiro. Iugoslávia, Brasil e Escócia terminaram todos com 4 pontos, uma vez que a vitória valia dois pontos naquele Mundial. A Iugoslávia ficou em primeiro pelo melhor saldo de gols (+9), o Brasil terminou em segundo (+3) e a Escócia em terceiro (+2). O Zaire perdeu as três partidas, não marcou nenhum gol e sofreu 14. Assim, Brasil e Iugoslávia avançaram para a segunda fase, enquanto a Escócia, apesar de não ter perdido nenhum jogo, foi eliminada.
O Grupo D teve uma dinâmica bem diferente. A Polônia foi a grande sensação, vencendo suas três partidas e apresentando um futebol extremamente ofensivo. Na estreia, derrotou a Argentina por 3 a 2. Depois, aplicou uma impressionante goleada de 7 a 0 sobre o Haiti, e encerrou a fase vencendo a tradicional Itália por 2 a 1. Com isso, terminou isolada na liderança, com seis pontos e 12 gols marcados em apenas três partidas. A disputa pela segunda vaga foi muito mais apertada entre Argentina e Itália. As duas seleções empataram em 1 a 1 na segunda rodada. Na última rodada, a Argentina goleou o Haiti por 4 a 1, enquanto a Itália perdeu para a Polônia por 2 a 1. Com isso, Argentina e Itália terminaram ambas com 3 pontos, mas a Argentina levou vantagem no saldo de gols: +2 contra +1.
O Haiti, estreante em Copas do Mundo, teve uma participação difícil, perdendo os três jogos e sofrendo 14 gols. Apesar disso, ficou marcado por um momento histórico: Emmanuel Sanon marcou contra a Itália, colocando fim à longa sequência de partidas em que a seleção italiana não sofria gols em Copas. O Haiti acabou terminando em último, com duas vitórias adversárias muito expressivas — 7 a 0 da Polônia e 4 a 1 da Argentina. No fim, Polônia e Argentina avançaram à segunda fase.
Na segunda fase, foram formados dois grupos: o primeiro tinha Holanda, Brasil, Alemanha Oriental e Argentina, e o segundo, Alemanha Ocidental, Polônia, Suécia e Iugoslávia. Com gols de Gerd Müller e Breitner, a Alemanha Ocidental derrotou a Iugoslávia por 2 a 0, e na sequencia em um jogo movimentado, venceu a Suécia por 4 a 2 (Overath, Bonhof, Grabowski e Hoeneβ marcaram para a Alemanha). Na terceira partida , os Germânicos Ocidentais precisavam ao menos de uma vitória simples contra a Polônia para alcançar a final. E conseguiram vencer por 1 a 0, com gol de Gerd Müller.No outro grupo, a Holanda foi claramente superior. Com gols de Cruyff (2 vezes), Krol e Rep, a Laranja Mecânica goleou a Argentina por 4 a 0, e na sequencia, venceu por 2 a 0 a Alemanha Oriental, com gols de Neeskens e Resenbrink. No terceiro jogo, a Holanda bateu o atual campeão Brasil, também por 2 a 0, com gols de Cruyff e Neeskens, e se garantiu igualmente na decisão.
A grande surpresa desta Copa foi realmente a Polônia. Com um time bem treinado, muito semelhante ao que venceu os Jogos Olímpicos, dois anos antes em Munique, e que havia eliminado a Inglaterra nas Eliminatórias. O time do matador Lato e de Kazimierz Deyna, terminou em terceiro lugar na Copa, derrotando na decisão do bronze o Brasil, de Leão, Luis Pereira, Rivelino e Jairzinho.
As duas melhores seleções do planeta chegaram na final da Copa do Mundo de 1974. De um lado a dona da Casa e atual Campeã europeia Alemanha, de Sepp Maier, Vogts, Paul Breitner, Gerd Müller e Beckenbauer; do outro, o time que encantava os olhos do undo todo, a Holanda de Nesskens, Cruyff e Rinus Michels. A partida aconteceu no Olympiastadion, em Munique, no dia 7 de julho. Logo no começo do jogo, a Alemanha abriu o placar com um gol de pênalti cobrado por Nesskens. Também de pênalti, a Alemanha empatou com Paul Breitner. No final do primeiro tempo, a Alemanha virou, com Gerd Muller, e segurou bem o placar no segundo tempo, conquistando assim a segunda Copa do Mundo de sua História.
PARA VER OS GOLS – http://www.youtube.com/watch?v=H16ofliLHF8
PARA VER MELHORES MOMENTOS EM HOLANDÊS – http://www.youtube.com/watch?v=kd8zi-DZSnQ&feature=related
Os Resultados da Copa do Mundo de 1974:
GRUPO A
14/06 - Alemanha Ocidental 1 x 0 Chile
14/06 - Alemanha Oriental 2 x 0 Austrália
18/06 - Alemanha Ocidental 3 x 0 Austrália
18/06 - Alemanha Oriental 1 x 1 Chile
22/06 - Austrália 0 x 0 Chile
22/06 - Alemanha Oriental 1 x 0 Alemanha Ocidental
GRUPO B
13/06 - Brasil 0 x 0 Iugoslávia
14/06 -Escócia 2 x 0 Zaire
18/06 - Brasil 0 x 0 Escócia
18/06 - Iugoslávia 9 x 0 Zaire
22/06 - Escócia 1 x 1 Iugoslávia
22/06 - Brasil 3 x 0 Zaire
GRUPO C
15/06 - Holanda 2 x 0 Uruguai
15/06 - Bulgária 0 x 0 Uruguai
19/06 - Suécia 0 x 0 Holanda
19/06 - Bulgária 1 x 0 Uruguai
23/06 - Holanda 4 x 1 Bulgária
23/06 - Suécia 3 x 0 Uruguai
GRUPO D
15/06 - Itália 3 x 1 Haiti
15/06 - Polônia 3 x 2 Argentina
19/06- Itália 1 x 1 Argentina
19/06 - Haiti 0 x 7 Polônia
23/06 - Argentina 4 x 1 Haiti
23/06 - Polônia 2 x 1 Itália
SEGUNDA FASE
GRUPO 1
26/06 - Holanda 4 x 0 Argentina
26/06 - Brasil 1 x 0 Alemanha Oriental
30/06 - Alemanha Oriental 0 x 2 Holanda
30/06 - Argentina 1 x 2 Brasil
03/07 - Holanda 2 x 0 Brasil
03/07 - Argentina 1 x 1 Alemanha Oriental
GRUPO 2
26/06 - Iugoslávia 0 x 2 Alemanha Ocidental
26/06 - Suécia 0 x 1 Polônia
30/06 - Polônia 2 x 1 Iugoslávia
30/06 - Alemanha Ocidental 4 x 2 Suécia
03/07 - Polônia 0 x 1 Alemanha Ocidental
03/07 - Suécia 2 x 1 Iugoslávia
Disp. 3o. Lugar
06/07 - Polônia 1 x 0 Brasil
